quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Transporte de colesterol pelo sangue - uma visão geral

Uma molécula de colesterol possui uma parte hidrofílica, devido a presença do grupo hidroxila (OH) em uma das extremidades da molécula e outra parta hidrofóbica, devido a presença de uma cadeia linear de hidrocarbonetos na outra extremidade, conforme exemplificado na figura ao lado.

Desta maneira, tornou-se necessário criar um mecanismo bem elaborado de transporte do colesterol no sangue, já que o plasma sanguíneo é aquoso e, por isso, o colesterol não pode ser dissolvido neste. A alternativa encontrada pelo organismo, foi de fazer tal transporte através de lipoproteínas transportadoras de lipídios. Essas lipoproteínas, que possuem estrutura básica representada ao lado, são hidrofílicas por fora, devido a presença de fosfolipídios em toda sua camada externa, o que permite sua dissolução no plasma e hidrofóbicas por dentro, o que permite a dissolução de lipídios em seu interior, possibilitando seu transporte através do sangue. Como se percebe, as lipoproteínas formam uma verdadeira cápsula que “protege” seu conteúdo do plasma sanguíneo, permitindo seu transporte no sangue.




Existem cinco tipos básicos de lipoproteínas no sangue (e também na linfa). São elas: LDL, VLDL, IDL, HDL e o QUILOMÌCRONS. Essas nomenclaturas referem-se a densidade dessas lipoproteínas. Quando mais densa for a lipoproteína, maior será seu conteúdo protéico e menor será sua capacidade de transportar lipídios. Em ordem crescente de densidade, vem : QUIILOMÌCRONS, VLDL, IDL, LDL e HDL.

Os lipídios que são ingeridos na dieta, irão se associar aos quilomícrons, que são lipoproteínas produzidas pelo Intestino Delgado.Os quilomícrons, agora enriquecidos em lipídios, entrarão na corrente sanguínea e, quando entrarem em contato com os tecidos extra-hepáticos, terão seus triglicerídeos hidrolisados pela lipase lipoprotéica. Com essa hidrólise, os tecidos extra-hepáticos adquirem ácidos graxos e glicerol. Permanecem nos quilomícrons, agora chamados de remanescentes de quilomícrons, as moléculas de colesterol. Os remanescentes de quilomícrons irão entrar no fígado, onde se associarão ao colesterol e aos triglicerídos produzidos pelo próprio fígado(a chamada síntese endógena). Essa associação dá origem à VLDL, lipoproteína de baixíssima densidade, por estar muito carregada de lipídios. A VLDL entra na circulação sanguínea e tem seus triglicerídeos hidrolisados pela lipase lipoprotéica ao entrar em contato com os tecidos extra-hepáticos (semelhante ao que ocorreu com os quilomícrons). Desta maneira, os ácidos graxos e glicerol ficam nos tecidos e o colesterol permanece na lipoproteína, que agora passa a ser chamada de IDL, com densidade menor à VLDL, por ter perdido parte de seu conteúdo lipídico. Uma fração das IDL é captada pelo fígado e o restante, após outro ciclo de remoção dos triglicerídeos pelos tecidos periféricos, origina as LDL. Essas lipoproteínas são o principal meio de transporte de colesterol pelo organismo humano. A maioria dos órgãos, exceto fígado e intestino delgado, obtém colesterol a partir dessa lipoproteína. Abaixo, um esquema simplificado de tal processo.




Fazendo o mecanismo de transporte de colesterol reverso, ou seja, retirando o excesso de colesterol do tecidos extra-hepáticos e levando ao fígado, vem as HDL. As HDL são produzidas principalmente no fígado, e possuem alta concentração de proteínas e baixa concentração de colesterol. São chamadas primeiramente de HDL nascentes. Quando essas lipoproteínas se ligam aos tecidos extra hepáticos, elas adquirem o colesterol excedente desses tecidos e passam a ser chamadas de HDL maduras. As HDL maduras possuem duas opções: Ou elas são levadas para o fígado e lá deixam o colesterol coletado para serem excretados em forma de sais biliares ou elas transferem o colesterol paras outras lipoproteínas( VLDL e LDL). Por essas razões as HDL são boas ao organismo. Além de retirarem o excesso de colesterol dos tecidos e levarem para o figado onde será excretado, elas têm a capacidade de "limpar" a parede dos vasos sanguíneos, devido a sua alta densidade.



Postado por: Lucas Klumb Oliveira Rabelo, Jõao Gabriel M . B. Silva

Nenhum comentário:

Postar um comentário